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Alunos do Colégio Estadual Santa Cândida - Evelyn, Felipe e Tainara -,criamos este blog, com a supervisão da nossa professora de História,Cássia,onde abordaremos um assunto de extrema importância, o abuso sexual infântil.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sobrevivi ao abuso sexual

Segue abaixo mais um depoimento de uma vítima de abuso sexual sofrido na infância.

‘Depois que as lembranças vieram à tona, tive que vencer o pânico e a depressão’
Geisa Paulin-Curlee, 33 anos, veterinária
Venho de uma família de trabalhadores rurais do Paraná e fui uma criança muito tímida e solitária. O primeiro abuso foi aos 5 anos: acordei sentindo meu irmão, 8 anos mais velho, mexendo nos meus genitais. Meu tio também me bolinava. Eu não reagia, pois não tinha capacidade para discernir. Com o tempo, passei a sentir culpa e vergonha. Foi assim até depois de adulta. Sempre, a cada toque, sentia meu corpo paralisado, era incapaz de me mover. Depois, eu entrava em um estado de confusão e desconforto emocional. Duas vezes, os abusos de ambos chegaram a relações sexuais, aos 21 anos e aos 25. Acho que um não sabia do outro. Meus pais nunca desconfiaram e nunca sofri ameaças para ficar calada, mas morria de medo que me castigassem e ignorava que aquilo era abuso sexual.
Só em 2001 essa situação mudou, pois fui estudar nos Estados Unidos. Lá, pela primeira vez, tive um namoro estável e me casei. Fui fazer um seminário sobre crescimento pessoal e as lembranças do passado vieram à tona. Só então vi que eu tinha sido vítima de abuso. Procurei um psicólogo e enfrentei um longo processo de depressão profunda e crises de pânico. Escrevi cartas ao Conselho de Medicina do Paraná denunciando meu tio, que é médico, mas desconsideraram por falta de provas. Meu irmão foi preso, mas por outro motivo. Mesmo sabendo que nada aconteceu com quem me fez tanto mal, quero muito me curar. Sei que mereço ser feliz.’
‘Senti nojo, ódio, repulsão, mas fiquei sem ação e ele continuou a me fazer carícias, me molestando de formas sedutoras’


Fonte: Revista Marie Claire

quinta-feira, 26 de maio de 2011

INFÂNCIA ROUBADA

O relato a seguir é de uma jovem vítima de abuso sexual pelo padrasto há cerca de dez anos atrás. Atualmente, aos dezoito anos, ela vive com a família, em Curitiba, e está concluíndo o ensino médio.
Para garantir a privacidade da vitíma a manteremos anônima.
- Como e quando os abusos começaram?
Vítima: "Eu não lembro exatamente, mas eu devia ter oito anos. Me lembro de acordar no sofá da sala sem minhas calças, o que achei muito estranho. Um tempo depois tive de ir ao médico pois sentia uma dor ao urinar.
Até então, eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Mas depois o meu padrasto começou a abusar de mim".
- Após os abusos, ele lhe ameaçava? O que ele dizia?
Vítima:  "Sim, ele dizia que se eu contasse para alguém, apanharia, ou que mataria a minha mãe".
- Para quem você contou sobre os abusos pela primeira vez? E depois de quanto tempo de silêncio?
Vítima: "A nossa família tinha uma empregda na época, que era muito amiga da minha família. Ela me disse que quando eu estava no sofá, viu o meu padrasto com a minha calça e achou aquilo muito estranho. Ela me perguntou se ele havia feito alguma coisa comigo. No início eu fiquei com medo de responder, mas acabei lhe contando a verdade, mas não recordo ao certo de quando foi isso.
Lembro que ela ficou muito revoltada e que contou tudo para a minha mãe".
- Você tinha medo dele? Sabia que o que ele fazia era errado?
Vítima: "Sim, eu sabia que era errado, mas não sabia o que fazer".
- Como a sua mãe ficou sabendo dos abusos e qual foi a reação dela?
Vítima: "Ela ficou sabendo pela empregada, que antes havia contado tudo para a minha irmã mais velha.
A minha mãe pegou uma cinta e pediu para eu lhe contar o que havia acontecido. Sempre que ela pegava o cinto, significava que ela queria saber a verdade, como se eu estivesse inventando ou mentindo.
A primeira reação dela foi chorar muito, depois ela me abraçou. Quando o meu padrasto chegou do trabalho, ela mandou que ele arrumasse suas coisas e fosse embora.
Minha mãe contou tudo para a irmã do meu padrasto, que ficou horrorizada. Depois, ela me levou para a delegacia para fazer a denúncia. Fomos a muitos lugares dais quais eu não lembro os nomes".
- O que aconteceu depois? Ele foi preso?
Vítima: "Ele foi preso sim. A minha mãe me dizia que ele nunca mais faria nada de ruim comigo, nem sequer chegar perto de mim, nem mesmo de seus próprios filhos - filhos dele com a mãe da vitíma -, que ainda eram bem pequenos".
- Como foi a sua vida e a da sua família após a prisão dele?
Vítima: "Apesar de tudo o que passei, era difícil para eu entender tudo aquilo que estava acontecendo, mas para a minha mãe e para os meus irmãos estava sendo ainda pior. A minha mãe teve que fechar a loja da qual era dona, deixando de pagar muitas contas de casa, e os meus irmãos sentiam muito falta do pai. Daí em diante a nossa vida só piorou.
Sem dinheiro para nos sustentar, a minha mãe me levou à delegacia para retirar a queixa contra ele, e assim eu fiz. Ele se desculpou pelo o que fez e voltou a morar conosco, já que ele era o único que podia pagar as contas".
- Você tem medo dele por você e pelas suas irmãs menores?
Vítima: "Hoje em dia eu não tenho mais medo, mas pelas as minhas irmãs sim. Eu tenho a impressão  de que, a qualquer momento, ele tente fazer com elas o mesmo que fez comigo. Por causa disso eu sempre as alerto sobre ele, pedindo para que elas me contem sobre qualquer coisa estranha que ele venha a fazer".
- Como é a sua convivência com ele?
Vítima: "Hoje, eu já superei o que aconteceu. Penso que ele era doente, mas que agora já se curou, mas não é a mesma coisa. Eu costumo cumprimentá-lo com um bom dia, mas não passa disso; não chego nem a ficar muito tempo perto dele.
Eu nunca o verei como pai ou algo parecido. Tenho muitas mágoas. O tempo passa, mas as lembranças não me deixam esquecer o quanto eu sofri".
- A quanto tempo a sua mãe e ele estavam juntos quando os abusos começaram?
Vítima: "Eu acho que desde que meu pai biológico foi embora, quando eu tinha uns quatro anos.
- Você confiava nele? O amava como pai? O que sente por ele agora?
Vítima: "Não, porque o meu pai biológico me dizia que só existe um pai e que era ele, então eu não conseguia ter esse sentimento por outra pessoa. Agora eu sinto nojo, revolta quando penso que ele deixou marcas profundas na minha vida e que nunca se apagarão".
- Quais são os seus planos para o futuro?
Vítima: "Primeiro quero ter minha própria casa, deixando a minha antiga vida para trás. Depois pretendo casar com o meu namorado e constituir uma família".
- Como os abusos afetaram e afetam a sua vida? Você ainda pensa nas coisas que aconteceram com você?
Vítima:"Afetarm muito, pois por causa disso eu tinha muito medo de qualquer homem que se aproximasse de mim, temendo que eles tentassem fazer alguma maldade comigo. Mas agora isso mudou. Penso que nada que aconteceu foi por minha culpa.
Às vezes, eu queria ter ido embora com o meu pai biológico, porque sei que ele jamais faria algo de ruim comigo e que também não deixaria ninguém fazer isso.
Eu penso nisso sim, o que me deixa muito triste a ponto de ter vontade de chorar. Mas tudo já passou, e agora a minha vida tem sido muito abençoada por Deus".
Este foi o depoimento de muitas entre tantas vítimas de abuso sexual no nosso país. Diferente de tantos, ela teve a coragem de relatar sobre as coisas terríveis que lhe aconteceram.
Por infortúnios, a nossa vítima teve que desmentir o ocorrido, livrando seu agressor do prisão, mas agora, segundo ela, tudo está bem.
Muitas crianças sofrem caladas e com medo, sem ninguém para ampará-las. Elas não tem voz, e caso você conheça alguma delas, seja essa voz, denuncie.
Disque 100.
Criado para receber denúncias de exploração sexual contra crianças e adolescentes, o disque-denúncia acaba recebendo também denúncias de outros tipos de violência e até de crianças desaparecidas. As denúncias são encaminhadas aos órgãos competentes em até 24 horas. O serviço funciona das 8h às 22h, inclusive finais de semana e feriados. Como o próprio nome já diz, é só digitar 100 no seu telefone. A chamada é gratuita e você não precisa de identificar.

Inesc - Criança e Adolescente - Direitos e Políticas Públicas
http://protagonismojuvenil.inesc.org.br/controle-social/exerca-sua-cidadania/disque-100

quarta-feira, 25 de maio de 2011

DIA NACIONAL CONTRA À VIOLÊNCIA INFANTIL

Vamos combater essa violência até que o Brasil seja do tamanho de sua responsabilidade com as crianças e adolescentes”, afirma ministra Maria do Rosário.
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), participou nesta quarta-feira (18) de uma série de atividades relacionadas à ao 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
Na parte da manhã, Maria do Rosário participou da conferência do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, onde ouviu as demandas de meninos e meninas, que a partir deste ano terão mais espaço para suas reivindicações. “Ouvir o que as meninas e meninos têm a dizer e fazer o que eles nos pedem, seja por palavras, seja pelo olhar, é o grande desafio para nós ativistas dos direitos das crianças e adolescentes”, avalia a ministra.
Em seguida a ministra foi ao Supremo Tribunal Federal, que realizou o 1º Encontro Nacional de Experiências de Tomada de Depoimento Especial de Crianças e Adolescentes. Além do presidente do STF, ministro Cezar Peluso, a rainha Silvia, da Suécia, e a ministra Ellen Gracie, participaram do evento.
No início da tarde, a ministra Maria do Rosário participou, no Palácio do Planalto, da entrega do Prêmio Neide Castanha e do lançamento da Matriz Intersotorial de Enfrentamento à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, que divulgou o novo mapa das denúncias sobre exploração sexual infantil. “Demos alguns passos, mas as redes de exploração também avançaram. Quero dizer que não vamos permitir que se esqueça, vamos combater essa violência até que o Brasil seja do tamanho de sua responsabilidade com as crianças e adolescentes”, disse a ministra.
Logo depois da entrega do prêmio, Maria do Rosário integrou a Caravana Siga Bem Criança, composta por uma série de caminhões que circundaram a Esplanada dos Ministérios enquanto militantes distribuíram folhetos informativos para motoristas e transeuntes.
À noite, Maria do Rosário é recebida em jantar pela rainha Silvia, na embaixada da Suécia. A rainha coordena a ONG Childhood, que desenvolve uma série de ações de proteção a crianças em todo o mundo.
A secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Silveira de Oliveira, e a coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Leila Paiva, acompanharam a agenda do 18 de Maio.
18 de maio – O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído pela Lei Federal 9.970/00. A data marca o crime bárbaro que chocou o país em 18 de maio de 1973, em Vitória/ES, e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade que foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta. Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. A intenção do 18 de maio é destacar a data para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta e proteger nossas crianças e adolescentes.

http://www.direitoshumanos.gov.br/2011/05/18-de-maio-dia-de-combate-a-violencia-contra-criancas-e-adolescentes-2013-201cvamos-combater-essa-violencia-ate-que-o-brasil-seja-do-tamanho-de-sua-responsabilidade-com-as-criancas-e-adolescentes201d-afirma-maria-do-rosario/view. Acesso:25 de maio de 2010

Fique atento

Geralmente, as vítimas de abuso sexual sofrem em silêncio, ou por medo ou por vergonha, mas há sinais que podem indicar abuso sexual. Estes são:
- A criança pode ter falta de sono ou pesadelos e também alterações repentinas de humor;
- Voltar a urinar na cama;
- Comportamento agressivo;
- Desempenho escolar baixo;
- Falta de apitite;
- Medo de ficar próximo de muitas pessoas;
- Excesso ou falta de hábitos de higiêne em relação ao banho;
- Fala ou comportamento muito sexualizado para a idade.

Po Anderson e Roseane Miranda, "Infância Perdida"; acesso: 25 de maio de 2010. http://www.censura.com.br/

Pedofilia

A cada oito segundos uma criança é abusada sexualmente no Brasil, esse número sobe para quinze segundos no mundo todo. É um número alto e que assusta, mas o que é pedofilia?
A Organização Mundial da Saúde define como a prática sexual entre um indivíduo maior de dezesseis anos com uma crinça na prépuberdade. A pscicalálise vê a pedofilia como uma perversão sexual.
Não é uma doeça, mas sim um distúrbio psíquico caracterizado pela obsessão em práticas sexuais não ceitadas pela sociedade.
25% dos casos, o pedófilo foi abusado na infância; e segundo os psicológos especialistas em abuso infantil de Michigan, Estados Unidos, 80% dos casos de violência sexual acontecem em casa. Os pais, tios e padrastos são os principais agressores.
No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê detenção de um a quatro anos de detenção e multa para quem fotografar ou produzir e publicar cenas de sexo ou pornografia com menores de dezoito anos.

Trechos retirados de "Pedofilia", por Eliane Percília, Equipe Brasil Escola.
http://www.brasilescola.com/sociologia/pedofilia.htm